Em meu quarto
Uma sombra escura bateu à porta
Não antedi de pronto, mas a deixei entreaberta.
A sombra me envolveu e com ela dancei.
Uma dança lenta, fria e silenciosa que me fez dormir
Gritos ocuparam espaço em meus ouvidos
me acalentando em uma camada escura de dupla face:
rispidez e ódio
mesclaram-se em um semblante sereno
uma clara doçura de morte
A tristeza buscava máscara o não eu e os cantos da casa buscavam ascender
A volúpia buscava um canto
O mundo era grande e medonho, mas me vencia a cada dia e me fazia crer que comportaria meu enorme eu
Deparei-me com um mundo novo
Os gritos passaram a vir de dentro
E eu os coloria e dava forma para atrair
ouvidos, olhos e palmas.
De flores e sombras encobri minha quimera.
O grande ego - o grande medo - o grande grito - o grande atrito
a multidão - a guerra sem sentido - o choro sem ouvido
o silêncio
a solidão
e foi no silêncio
que pude ouvir
o que não deixava
a rusga em mim
Ouvi Alguém me chamar pelo nome
Ouvi Alguém dizer:
"Não temas"
Tremi!
Quem é Esse que descobriu que tenho medo?
O mesmo mudou meus sentidos: cobriu meus ouvidos
desvendou meus olhos
"Quem sou?"
Perguntou minha alma
"És minha. Não tens mais outro alguém por quem viver."
Meus joelhos tornaram-se pés. Abri a porta, a luz dissipou a sombra
uma doce alegria coloriu-me por dentro. Os gritos? Parei de ouvi-los. Passei a
vê-los. E a miséria do outro entrou no meu coração, explodindo em atitude
"- O que é isso?
Essa não sou eu!"
"És minha. Aprenderás a ser como Eu sou."
"És minha..."
A máscara caiu.
A rusga calou.
O grito se transformou
em canto
Que balbucio
baixinho
apenas para
atrair
os olhos de Quem me amou...
À calma somou-se o poder. Eu quis parar mas não pude.
"- O que é isso?
Essa não sou eu!"
"És minha..."
Então sai de casa, dancei na chuva!
Fiz-me conhecer pelo relâmpago
Dei a mão ao raio
ri com o trovão!
Acostumei-me a grandes riscos, grandes desafios, ao sobrenatural
Dançar na chuva me levou acima das nuvens!
outros olhos - outro canto - outras línguas - outras vestes
outra vida!
Mas a sombra não quer me perder...
Novamente tenta entrar pelas brechas deixadas pelo costume
As lutas me mantém acordada, as quedas me põe de joelhos
A misericórdia que me alcançou continua se renovando
Um minuto nas trevas me levam a
horas de choro na luz
Choro?
Por vezes minh'alma questiona ser isso prisão...
"fui comprada por preço. um Senhor me libertou"
Agora que estou livre compreendi:
Sou tua!
Não vivo sem Ti!
Fure minha orelha!
Marque-me, meu Senhor!
Que todos me conheçam pelo Teu Nome!
Quero aprender a ser como Tu és!
{Fazendo uma faxina na minha caixa de mensagens encontrei um e-mail antigo da Eva Beatriz Holland a data é 11 de out de 2007 com um texto poético. Re lendo este texto me deu vontade de compartilhar aqui no blog. Espero que ela não brigue comigo por isso}